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Depois da NRF:  o varejo descobriu seu gargalo e não é tecnologia

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Prontidão, padrão e gente estão no centro da discussão

O evento promovido pelo Beedoo para discutir os próximos passos do varejo, após a NRF, teve um tom incomum para conversas sobre inovação: menos fascínio por novidade e mais cobrança por execução. O que apareceu como consenso entre falas e exemplos foi que a tecnologia se democratizou — e justamente por isso ela deixa de ser o diferencial, que passa a ser a capacidade de colocar mudanças de pé sem romper o padrão, mesmo em um cenário em que rotatividade e imprevisibilidade já fazem parte do jogo.

O debate sobre loja física também ganhou um novo enquadramento. Em vez de repetir a narrativa sobre “o fim do varejo físico”, a conversa trouxe a loja como contraponto à fadiga do digital: um espaço sensorial, de presença e conexão, onde o cliente toca, experimenta e sente — e onde marcas passam a “aportar” outras marcas e serviços no mesmo ambiente para ampliar conveniência e vínculo. A mensagem não foi “voltar ao passado”, e sim tornar o físico relevante por aquilo que o digital não entrega do mesmo jeito.

Quando o assunto migrou para IA, o evento ficou ainda mais pragmático. Foi citado que muitas empresas investiram e ainda não colheram valor, e que a diferença entre “usar IA” e “extrair valor” está na base: dados estruturados, governança, segurança, compliance e LGPD. Sem isso, a tecnologia vira risco – inclusive dentro do PDV, onde o uso improvisado pode empurrar um produto errado, afetar margem, conflitar com acordos comerciais e até gerar informação inconsistente para o cliente.

É nesse ponto que a conversa desceu para o chão da operação. A tese defendida foi direta: a rotatividade no varejo dificilmente vai diminuir. Em muitas operações, boa parte do time é gente nova, no primeiro emprego, com pouca perspectiva de carreira longa na loja. E, ao mesmo tempo, a demanda por prontidão aumentou: se antes a empresa aceitava que alguém levasse meses para ganhar autonomia, agora a pressão é para estar apto em semanas — ou menos. Nessa lógica, “treinar ou treinar” não resolve sozinho. O que precisa mudar é como se garante prontidão e consistência em escala.

Os exemplos finais deram densidade a essa urgência. De um lado, a imprevisibilidade do consumo: um vídeo de influencer pode esgotar estoque em horas e derrubar qualquer plano desenhado no escritório. De outro, a nova jornada de compra: com agentes e assistentes automatizando pesquisa, comparação e decisão, o cliente chega mais informado — às vezes mais informado do que o vendedor. O risco é óbvio: se a experiência na loja for fraca, o cliente migra para o digital; se a resposta for “não tem”, o agente encontra o concorrente. O que sustenta a loja, nesse cenário, deixa de ser catálogo e vira relacionamento, postura, presença e capacidade de contornar problemas em tempo real.

A conclusão do encontro foi quase uma régua: tecnologia “pela tecnologia” morre. Um exemplo citado foi a Amazon Go como símbolo de inovação que parecia impressionante, mas não atacava uma dor real do cliente. Para o varejo, a pauta que fica do pós-NRF é menos “o que adotar” e mais “o que tornar rotina”: prontidão rápida para times que giram, governança para uso seguro de IA, e um desenho de cultura e engajamento que ajude a reter, desenvolver e dar autonomia para a ponta — sem perder o padrão.

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